Documentário “Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras” estreia nos cinemas nesta quinta (11/12)
“Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras é um documentário que se apresenta com uma sensibilidade rara. A primeira coisa que chama atenção é a fotografia, belíssima, fria, quase azulada, que parece envolver o espectador na atmosfera emocional do próprio artista. Não é apenas um registro da vida de Munch: é um mergulho no que moldou sua arte e na forma como ele atravessou o amor, o luto e os fantasmas que o acompanharam.
A narrativa não se limita ao biográfico. Ela expande o olhar e costura o contexto histórico, cultural e emocional em que o artista produziu suas obras. Mais do que explicar quadros, o documentário se dedica a revelar o que eles representam como expressão íntima de dor, perda e desejo. A relação de Munch com a morte da irmã, por exemplo, é tratada de um jeito ao mesmo tempo, documental e poético, criando pontes entre experiência pessoal e linguagem estética.

E é interessante como o documentário olha para além do mito de uma obra só. Munch ficou mundialmente conhecido por O Grito, mas aqui o filme recusa essa visão limitada. Ele não apenas explica o que levou o artista a criar aquela pintura tão icônica, como também revela que sua produção vai muito além dela. O documentário lembra que Munch não foi prisioneiro de um único gesto artístico. Ele foi um criador múltiplo, inquieto, profundo, que pintou mundos que ultrapassam o grito que o tornou símbolo.
O filme também entende que um artista não existe isolado. Ele apresenta amigos, influências, amores, e principalmente aquilo que o movia na criação: a figura da mulher como musa, presença, ferida, fantasia e inspiração. As interpretações que surgem ao redor dele ajudam a formar um mosaico rico, onde a arte aparece como síntese de tudo o que ele viveu e de tudo o que jamais conseguiu dizer em palavras.
E por falar em palavras, o documentário acerta ao não focar só na imagem. Ele traz também o lado escritor de Munch, revelando como suas ideias fluíam entre pintura, escrita e fotografia. A narradora amarra esses elementos com uma camada mais filosófica, quase meditativa, que transforma a experiência em algo além de informativo.
O resultado é uma obra que não fala apenas aos admiradores do artista. Ela acolhe qualquer pessoa interessada em biografias sensíveis, em processos criativos ou no simples desejo de entender como alguém transforma uma vida difícil em expressão artística. A ordem em que o documentário conduz tudo, das perdas às paixões, das influências às obras, faz jus ao título e cumpre exatamente o que promete entregar.
Munch, Amor, Fantasmas e Vampiras não é só sobre um homem que pintou a dor. É sobre alguém que encontrou na arte o único modo possível de existir.”
O universo simbólico, inquietante e profundamente humano de Edvard Munch volta a ganhar luz nas telas de cinema com a estreia do documentário “Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras”, que chega ao circuito brasileiro nesta quinta-feira, 11 de dezembro de 2025. A produção italiana, dirigida por Michele Mally, é distribuída no país pela Autoral Filmes e convida o público a revisitar a obra e o pensamento de um dos artistas mais influentes — e ao mesmo tempo menos compreendidos — da história moderna.
Munch é celebrado mundialmente pelo icônico “O Grito”, mas seu legado vai muito além dessa imagem universal. De Warhol a Bergman, de Marina Abramovic a Jasper Johns, sua influência atravessa gerações. O documentário, no entanto, busca revelar o artista para além do símbolo, explorando sua relação com o tempo, a repetição e o movimento interno que conduziu toda sua produção.
Uma nova luz sobre Edvard Munch
Em “Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras”, Michele Mally mergulha nas raízes existenciais e emocionais do pintor norueguês (1863–1944). O longa percorre paisagens, memórias e espaços decisivos para sua trajetória, oferecendo uma reflexão sobre o conceito de “tempo” que permeia toda a sua obra — um tempo que é passado e presente, matéria e espírito, vida e fantasma.
O filme estreia em salas de cinema de Belo Horizonte, Florianópolis, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória, com a lista completa de praças disponível no Instagram @autoral_filmes.
A narrativa parte da casa de Munch em Åsgårdstrand, onde a atriz Ingrid Bolsø Berdal conduz o público por um conto popular norueguês que dialoga com o universo simbólico do artista. A partir daí, inicia-se uma jornada que explora as florestas, praias e montanhas que formaram seu imaginário.
O museu MUNCH e o legado monumental
O documentário também destaca o papel do MUNCH, museu inaugurado em Oslo em 2021, que reúne 28 mil obras do artista — entre pinturas, gravuras, desenhos, cadernos, esboços, fotografias e experimentações cinematográficas. O arranha-céu cultural marca uma nova era para o estudo e difusão da obra do pintor.
Especialistas como Jon-Ove Steihaug (MUNCH), Giulia Bartrum (British Museum) e Frode Sandvik (Kode, Bergen) participam do filme, analisando temas, técnicas, obsessões e a importância histórica de Munch.
A restauradora Linn Solheim revela como muitas obras se tornaram extremamente frágeis em razão das técnicas experimentais utilizadas pelo artista — um testemunho de sua ousadia e inquietação criativa.
O Tempo de Munch
Entre experimentações e repetições, Munch buscava traduzir emoções, sensações e memórias. Ele próprio escreveu: “Não pinto o que vejo, mas o que vi.” Seu conceito pessoal de tempo é uma ponte para o invisível — uma abertura para espíritos, fantasmas e dores que moldaram sua história.
Nos autorretratos tardios, seus olhos registram o impacto das descobertas científicas do início do século XX e as ambiguidades de suas relações pessoais, revelando uma vida marcada por amor, perda e busca espiritual.
Como apontam Elio Grazioli e Øivind Lorentz Storm Bjerke, é na repetição contínua e nas múltiplas versões de seus temas que encontramos o acesso ao “Tempo de Munch”, uma dimensão artística e emocional única.
Sobre a Autoral Filmes
Fundada em 2025 pelos sócios do Paradigma Cine Arte, Felipe Didoné e Marize Didoné, a Autoral Filmes nasce com a missão de trazer ao público brasileiro produções de autor, documentários de arte e filmes selecionados pela curadoria criteriosa que consagrou o Paradigma como referência cultural em Florianópolis.
Segundo Felipe Didoné, “a Autoral Filmes é a realização de um sonho, expandindo horizontes sem perder a essência da curadoria elegante”.
Serviço
Título: Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras
Estreia: 11 de dezembro de 2025
País: Itália
Gênero: Documentário biográfico
Duração: 90 min
Classificação indicativa: consulte as salas
Praças de exibição: @autoral_filmes
Trailer: Legendado


