O Festival de Curitiba começou sua 34ª edição ao som do samba e com a ambição de reafirmar a capital paranaense como centro da produção cultural brasileira. Com 435 atrações espalhadas por teatros, espaços culturais, ruas e praças, o maior evento de artes cênicas do país transforma Curitiba e a Região Metropolitana em palco para diferentes linguagens, estéticas e debates.
A abertura desta edição apostou em uma celebração grandiosa. Sob o comando de Milton Cunha, a aula-show Samba: As Escolas e suas narrativas marca o primeiro ato do festival e leva para a Pedreira Paulo Leminski o encontro entre carnaval, dramaturgia e identidade brasileira. Mais do que um espetáculo, a apresentação simboliza o espírito da programação deste ano: diversidade, celebração e reflexão.

Festival de Curitiba desloca o eixo cultural do país
Ao longo de quase duas semanas, o Festival de Curitiba concentra na cidade uma programação que reúne companhias consagradas, artistas de diferentes regiões do Brasil e atividades formativas gratuitas. Na prática, o evento desloca temporariamente para Curitiba uma parte importante do debate sobre a produção artística nacional.
Essa força também se reflete na curadoria da Mostra Lucia Camargo, assinada por Daniele Sampaio, Giovana Soar e Patrick Pessoa. O trio buscou equilibrar qualidade artística, pluralidade estética e trajetórias fundamentais para o teatro brasileiro.
Entre os 28 espetáculos selecionados para a principal vitrine do festival, há montagens que celebram a cultura popular sem abrir mão de temas sociais urgentes. Além disso, grupos com carreiras sólidas e reconhecidas nacionalmente reforçam o peso da programação.
Milton Cunha abre festival com aula-show sobre escolas de samba
A abertura oficial do Festival de Curitiba tem em Milton Cunha uma de suas figuras centrais. O carnavalesco comanda a aula-show Samba: As Escolas e suas narrativas, criada especialmente para esta edição do evento.
Na apresentação, Cunha divide a cena com integrantes de importantes agremiações do carnaval carioca, entre eles Mestre Ciça, homenageado no desfile campeão da Unidos do Viradouro em 2026. Juntos, eles mostram ao público como as escolas de samba constroem a dramaturgia de seus enredos e transformam desfile em narrativa.
A cerimônia de abertura para convidados aconteceu no dia 30 de março. Já a sessão aberta ao público foi marcada para o dia seguinte, também na Pedreira Paulo Leminski. Os atores Fernanda Fuchs e Diogo Verardi, conhecidos por Malhassaum, assumem o papel de mestres de cerimônia.
Mostra Lucia Camargo reúne nomes fundamentais do teatro
A Mostra Lucia Camargo segue como o núcleo mais simbólico da programação. Nesta edição, o Festival de Curitiba escalou grupos de longa trajetória e grande relevância na cena nacional.
Entre os destaques estão o carioca Armazém, os cearenses da Carroça de Mamulengos, os mineiros do Grupo Corpo e o Galpão. Este último abre os trabalhos com o premiado (Um) Ensaio Sobre a Cegueira, baseado na obra de José Saramago.
Segundo a diretora do festival, Fabíula Passini, a curadoria celebra a qualidade artística e a riqueza de produções espalhadas pelo país. A escolha também evidencia o compromisso do evento em aproximar o público de diferentes formas de fazer teatro.
Interlocuções amplia debate sobre as artes cênicas
Em paralelo às apresentações, o Festival de Curitiba mantém uma frente importante de formação e pensamento. O Interlocuções reúne encontros, debates e ações educativas que estimulam o aprendizado e a troca entre artistas, estudantes e público interessado.
As atividades são gratuitas e reforçam um dos papéis mais relevantes do evento. Além de apresentar espetáculos, o festival também funciona como espaço de reflexão sobre os rumos das artes cênicas no Brasil.
Fringe segue como grande diferencial do evento
Criado em 1998, o Fringe continua sendo um dos grandes marcos do Festival de Curitiba. O espaço permite a participação voluntária de companhias de teatro, circo, dança, música e outras vertentes artísticas, ampliando o alcance e a diversidade do evento.
Em 2026, o Fringe reúne 248 espetáculos, com atrações vindas das cinco regiões do Brasil e também da Argentina. As apresentações ocupam mais de 50 espaços cênicos em Curitiba e na Região Metropolitana.
Entre as 11 mostras programadas, o destaque vai para a inédita São Paulo Showcase, com 15 produções paulistas gratuitas. Outra ação importante é a terceira edição da Rodada de Conexões, que aproxima curadores, programadores e grupos participantes.
Risorama, Mostra Surda, Guritiba e Gastronomix reforçam pluralidade
A programação do Festival de Curitiba também inclui braços já tradicionais do evento. O Risorama, considerado o maior evento de humor da América Latina, acontece de 3 a 7 de abril na Pedreira Paulo Leminski e reúne nomes como Nany People, Bruna Louise, Whindersson Nunes e Robson Souza.
A Mostra Surda de Teatro volta a afirmar a potência da arte em Libras, com estreias nacionais, poesia e oficinas na Capela Santa Maria. A iniciativa valoriza artistas e produtores surdos e amplia o debate sobre acessibilidade cultural.
Já a Mostra Guritiba retorna ao Auditório Poty Lazzarotto, no Museu Oscar Niemeyer, com programação voltada ao público infantojuvenil. Neste ano, os espetáculos Azul e Da Janela compõem a grade nos fins de semana do festival.
Por outro lado, o Gastronomix combina gastronomia, música e experiências artísticas em um ambiente de convivência. Com curadoria do chef Celso Freire e apresentação de Janine Mathias como mestre de cerimônias, o evento reúne pratos acessíveis e shows de artistas como Capybara Trio, Samba de Cassim, Rosa Armorial e Samba da Nega.
Mish Mash encerra programação com leveza e impacto visual
No último fim de semana, o Mish Mash retorna como um dos momentos mais lúdicos do Festival de Curitiba. O evento reúne música, mágica, acrobacias, contorcionismo, palhaçaria e malabarismo em um ritmo acelerado, pensado para surpreender o público a cada número.
Mais uma vez, a Pedreira Paulo Leminski será o palco dessa celebração de encerramento, que aposta na leveza e no encantamento como marca final da edição.
Festival movimenta economia criativa de Curitiba
O impacto do Festival de Curitiba vai além da programação artística. Em 2025, cerca de 200 mil pessoas circularam por teatros, praças e espaços culturais durante o evento, movimentando aproximadamente R$ 50 milhões na economia criativa da capital e da região metropolitana.
A expectativa da organização é superar esses números em 2026. O festival beneficia a cadeia produtiva da cultura, o setor de serviços, o turismo e os profissionais técnicos envolvidos em cada etapa da realização.
Além disso, o evento também contribui para a formação de público e para a ampliação do acesso à cultura. Teatros cheios, programação diversa e atividades gratuitas ajudam a consolidar o festival como uma referência nacional.
Serviço
34.º Festival de Curitiba
Data: de 30 de março a 12 de abril de 2026
Valores: ingressos de R$ 0 a R$ 85, além de taxas administrativas
Faixas de preços:
Mostra Lucia Camargo: de R$ 42,50 a R$ 85 + taxa
Risorama: de R$ 42,50 a R$ 85 + taxa
Fringe: de gratuitos a R$ 75 + taxa
Mostra Surda de Teatro: gratuita
MishMash: de R$ 30 a R$ 60 + taxa
Guritiba: de gratuitos a R$ 60 + taxa
Gastronomix: de R$ 10 a R$ 20 + taxa
Ingressos: site oficial https://www.festivaldecuritiba.com.br e bilheteria física no Shopping Mueller, Piso L3
Redes sociais:
Facebook: @fest.curitiba
Instagram: @festivaldecuritiba
Twitter: @Fest_curitiba
Informações importantes:
Verifique a classificação indicativa e as orientações de cada espetáculo.
Há sessões com acessibilidade em audiodescrição e intérpretes de Libras.
Estudantes de teatro e artistas profissionais contam com ingressos promocionais na bilheteria física, conforme condições da organização.


